Delphi no Top 10 de popularidade, e ai?

No primeiro artigo desta série sobre a popularidade das linguagens de programação, falamos sobre a “expressiva” subida da popularidade do Delphi. Eu enfatizei o que isso significava, lembram? Nada! Pois é, nada pois os dados por si só não nos permitem uma análise mais aprofundada, porém os dados quando cruzados com eles mesmos podem nos dizer alguma pouca coisa.

Vamos começar então entendendo que o fato do Delphi estar na 10ª posição e ter subido 7 posições em 12 meses de fato não significa muita coisa, veja que a pior posição em termos de popularidade do Delphi é justamente de Janeiro deste ano, isso mesmo, em Janeiro/2015 a linguagem Delphi amargava a 20ª posição. Então é prematuro dizer qualquer coisa olhando apenas os números de forma fria. Mas como citei, há muita informação que podemos extrair analisando os números de uma forma mais macro, podemos por exemplo analisar os últimos 14 anos da ferramenta o que contemplaria os períodos Borland, Borland + Code Gear, Code Gear e Embarcadero.

Pior Posição

Em 2001 ocorria o Boom do Linux e junto com ele o surgimento dos Web Services, o Delphi 6 é lançado com suporte ao desenvolvimento de Web Services e de quebra a Borland também lança o Kylix que era a primeira IDE cross-plataform. Foi um tipo no pé! A IDE não era lá essas coisas e foi a primeira péssima experiência para programadores Delphi, sim pois depois tiveram outras (.Net, PHP). Não por conta da ferramenta em sim mas por conta da grande massa de programadores preguiçosos que acha que basta arrastar componentes, mas isso é assunto para outro artigo. Isso fez com que a popularidade da ferramente despencasse, notem que em 2002 o rating que era de quase 4% no ano anterior passou a pouco mais de 1%. Entre 2002 e 2004 tivemos o lançamento do Delphi 7 e Delphi 8 (pé de cobra, ninguém nunca viu) mas nada disso adiantou.

No fim de 2004, quando a popularidade estava no mesmo patamar de Janeiro deste ano, houve uma revolução: a Borland lança a primeira versão no conceito de estúdio, o Borland Developer Studio 2005, com a possibilidade de desenvolvimento em 3 linguagens: Delphi, C++ e C#. Suporte ao .Net, tudo bem que era o 1.1 ainda, mas estava valendo. Isso trouxe um fôlego para a ferramenta e a comunidade se animou, afinal o .Net era uma grande promessa, mas a esta altura muita coisa estava rolando. A Borland estava mais interessada em ALM do que no Delphi (IMHO), prova disso foi a presença do Star Team (ferramenta de controle de versão) para quem comprasse o BDS2005. No lançamento do BDS2006 no final de 2005 tínhamos a integração do com o Together, ferramenta de modelagem UML presente até hoje no XE8, com outro nome claro.Ranking Delphi

Nada disso foi suficiente para segurar a popularidade, acho que parte da culpa era o fato do Delphi sempre esta uma versão atrás no .Net o que desanimada, lembro que a Microsoft já estava no .Net 2.0 e o Delphi 2006 ainda no 1.1, o resultado foi uma queda de quase 6% de rating no lançamento do BDS2005 para pouco mais 1% no final de 2007 quando então lançam o Rad Studio 2007, já pela Code Gear em parceria com a Borland. Para mim uma das melhores versões já lançadas, bastante estável e com a atualização da framework .Net, agora a 2.0 entre outras coisas como nova framework DBExpress 4. Notem que desde 2007 até o final de 2010 a média de rating se manteve em torno de 2%. Neste período a Borland sai de cena, a Code Gear lança sozinha a versão 2009 e a Embarcadero após comprar a Code Gear lança ainda em 2009 o Rad Studio 2010, que passa a ser para mim a melhor versão até aquele momento, superando o 2007.

A linguagem tinha tudo para manter a melhor marca de popularidade na era Embarcadero, cerca de 2,8% no início de 2010 mas isso não ocorreu, por quê? Uma sucessão de precipitações, uma versão atrás da outra, XE, XE2, XE3 e a sensação era de impotência pois mal conseguíamos absorver o que tinha de novo e uma nova versão era lançada e sem nada de muito novo. Tá você vai dizer: “desenvolvimento Mobile”, mas convenhamos foi a partir do XE5 que a coisa começou a se estabilizar. A comunidade sentiu isso, prova é que desde o lançamento do XE em 2011 até o final de 2013 com o lançamento do XE5 a popularidade despencou de 2,8% para 0.8%. Mas por ser a versão mais estável de toda a era XE ele foi um divisor de águas, e ai a coisa começou a mudar.

Tedencia

O gráfico mostra uma tendência de alta a partir de 2014 encerrando assim uma tendência de queda que vinha desde a melhor marca quando do lançamento do BDS2005, é um aumento tímido porém constante. Tem muita coisa legal para ver quando comparamos a popularidade do Delphi com outras linguagens, mas isso fica para o próximo artigo. Essa virada pode levar a popularidade para patamares dos anos dourados do Delphi, Será?

E você? Acredita que um dia voltaremos aos anos dourados do Delphi, tendo um rating de 3% quem sabe 4% de popularidade? Ficaremos a frente de VB .NET, PHP e Phyton? Comente nosso artigo e compartilhe sua opinião.

Grande abraço, eu sou Rodrigo Mourão, e pela atenção obrigado!